quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ma(i)s querer(es)

Quase sentiu-me a respiração entrecortada. Parada de medo. 
E de desejo.
 Não posso ir além dos feixes de luz que saem de seus olhos e teimam em me queimar inteira,  nem ceder ao cheiro que exala de teu corpo, invadindo e evadindo meus sentidos, provocando instintos animais.
Ma(i)s não posso querer. 
Pois que dói, e dói de doer!!!
E aqui, na solidão dessas palavras inauditas que jorram de minhas entranhas como um gozo que não tive, 
jazem apenas os quereres inconfessos de quem quase não pode mais.

Maria Lemke

terça-feira, 30 de julho de 2013

Trago

(Um) trago(,) um risco a-guardado.
Segredo quase (in)confesso
escorr(end)o entre vãos, mãos e frestas,
nas profundezas de um co(r)po meio vazio
Há inquietude prenhe de não-ditos
TU(do) em compasso de espera.
Aleg(o)ria mal disfarçada
Entre... promessa(s)
Quereres, querências.
Essência do feminino.
Possibilidade deixando de ser quimera.

Maria Lemke

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Rapidinha


Dizem que nada pode ser tão amargo quanto o amor. 
 Nem arrependimentos, fel, erros ou café.
Os meus, sem açúcar, por favor.

Maria Lemke

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Caos



...E quase toquei teu choro.
Parei ao vê-lo escondido na ponta dos teus dedos.
De longe, velo.
 Me perdi na imensidão de um mundo brotado da sombra do que não se deve ter.
E quase...
pois que em mim tu(do) é  assombro, espanto e medos
Desde a intensidade dos teus olhos,
até o degredo da palavra que resvala incontida no teu querer.



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Recôndito

Virada de cabeça para baixo... trêmula, fremida... aguada. Escondida no cinza. Sem blues para acompanhar a sorte. Segura? Talvez sim... talvez não... 
                                          Foto: Maria Lemke

quinta-feira, 4 de julho de 2013

FICA: relatos e retratos da violência

Caros, muitos ainda não acreditam que vivemos num estado de violência... mas o descalabro é tanto que se torna cada vez mais visível.
Vejam o que acontece em Goiás com quem se manifesta!!
Manifestantes, professores e alunos da UEG, durante o FICA, em Goiás, foram covardemente agredidos e presos... Veja o retrato e o relato
http://www.adufg.org.br/adufg/noticias.php?locNot=&ssc=0&id=3550&pg=0

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ideias

Ouviram do Ipiranga, da Paulista, da Av. Rio Branco, de Brasília, de Porto Alegre, de  Curitiba, Salvador, da Espanha, de Portugal, da Alemanha, da Suécia, de Londres e de todos os lugares um brado retumbante. Não era Dom Pedro. Era o povo, a nação em cena. o Estado bem que tentou,  inutilmente, calar aquela voz com cassetete e  tiros. Não adianta: IDEIAS SÃO À PROVA DE BALAS!!

terça-feira, 11 de junho de 2013

À espera


Ok. Leio Elisa Lucinda, Maria da Poesia 
e ouço Ana Carolina.
Leio revistas femininas, umas mais ou menos fúteis,
Às vezes busco inspiração pra enfeitar meu lar. 
Não sou mais balzaquiana:
sou loba 
dizem que já comi a chapeuzinho.
Piloto fogão de salto alto,
Mas adoro andar descalça.
Medo de altura, tara por velocidade
Ando perfumada, mas conservo meu próprio cheiro.
Sou emancipada:
Sei bem me virar sozinha.
Vibro, sou ave, suave, ávida.
Sou romântica, ecológica e bem-humorada
Não perco uma piscadela.
Adoro conversa afiada,
olhares fagueiros, de soslaio.
Já fiz muita coisa hoje.
Rezei pro meu santo: pedi pra te proteger de mim
Separei livros e contas a pagar,
organizei roupas, sapatos e bijoux,
lavei echarpes, lenços e pashminas
Provei lingerie nova.
Contrariada, constatei celulites.
Mas, nem tudo está perdido, mantenho a cinturinha.
Um velho blues 
embalou meu dançar solitário.
Diante do espelho,
fiz caras e bocas,
tudo isso sem calcinha.
Agora, rimas bolinam meus pensamentos e,
suavemente, sorvem meu corpo com vinho.
Enquanto você não vem.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Saia



 Mulher

anda de saia... 

lingerie pequeninha...

quase escondida entre as carnes macias

que roçam entre si

ahhhh, mulher!!!

quando o vento vem, 

me leva a querer mais...

levanta algo...e não é sua saia apenas

mulher...ahhhhhh, mulher!

assim vc nunca vai ser cantada como mulher de Atenas...

mulher... 

dona do meu pensar...

verso obscuro... minha rima, 

apetitosa... indecente

meu reverso

meu esperma, meu gozar

meu deleite, 

quimera de prazer...

mulher...

tire sua saia 

ou saia de meus pensamentos!!

 Maria Lemke


segunda-feira, 13 de maio de 2013

É-ter


 Escrevo frases soltas. Deduzo e induzo a erros. Tenho fases. Dou voltas. Vou e volto fagueira. Ter-gi-verso meias verdades em palavras partidas ao meio. Uso pulseiras num pulso descompassado, um relógio marcando horas idas. Elos (des)com-passado(s). Meus aneis não cabem nos dedos.
Sete luas (t)em Saturno
Muitas a me gravitar. 
Densa e venérea(,)
  Vou a Marte.
Circular Mercúrio
Voo
Etérea
É-ter
Vênus brincando com (os) Er(r)os...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Afago (,) ou me afogo (?)



Ou-vi teus sons e olhos
(nus crepuscular).
e penso...e sinto
a poesia e o afago,
o roçar dos corpos,
à  distância,
quereres,
vontades que não passam.
Prosas tecidas
em palavras não ditas,
a noite entran(han)do no dia.
I-manto pra aquecer
já é madrugada,
(H)a(hhh)-fogo
na noite fria (!!)
Maria Lemke



segunda-feira, 29 de abril de 2013

A-cá(l)-maria




Sou a in-verdade do poeta. O medo do deserto(r). O alimento regurgitado.  A vela queimando na escuridão da noite. O véu cobrindo rostos. O gosto do amar(go). O dedo em riste. O rastro na poeira. O sorriso do palhaço. A forja do aço. Amaré, a-tormenta. Eu, a-ca(l)-maria (de) sua agitação. A menina dos olhos que vela, resvala (em) segredo(s), lamenta em silêncio, os meus dias, e os teus ais. 
Maria Lemke

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Avessa (à) parte


Poesia não tem sexo. Nem pretextos. E eu, como você, (s)em meias-palavras, (s)em hífens...  (s)em verso ou prosa: do avesso.

domingo, 21 de abril de 2013

Dados




Joguei fora muitos escritos. Muitos continham antigas verdades, equívocos e enganos: engodos de minha memória fugidia e infiel. Joguei (fora) jogos de palavras e reticências, entre-meios prenhes de segundas intenções: lembranças de olhares enviesados. Entre apostos e apostas de quereres, letras trêmulas deixavam escapar o desalinho de versos toscos e imperfeitos lavrados em velhos pedaços de papel...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ré-TORNO


Sou uma metade criada a partir de dois... sou dores nascidas de vários cacos de um só vidro quebrado(,) a rolar pelo chão... um não cheio de sim.... metade incert(ez)a. Certa de meus poréns, com tudo de todas metades e todos os nãos que há em mim.