quarta-feira, 26 de junho de 2013

Aberta

Não ensaiou gestos, caras ou bocas.
Num arroubo, quase aos tropeços, subiu a escada.
Não houve tempo para o medo.
Não havia volta.
Nem vergonha ou pudores.
 Não havia rima nas palavras,
espartilhos, ou ideias no lugar.
Estava fora de si.
Em frente à porta,
já aberta,
era respiração entrecortada, frenesi.
Em puro desvario, sem poder esperar,
incontida, baixinho implorava: morde!!!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ideias

Ouviram do Ipiranga, da Paulista, da Av. Rio Branco, de Brasília, de Porto Alegre, de  Curitiba, Salvador, da Espanha, de Portugal, da Alemanha, da Suécia, de Londres e de todos os lugares um brado retumbante. Não era Dom Pedro. Era o povo, a nação em cena. o Estado bem que tentou,  inutilmente, calar aquela voz com cassetete e  tiros. Não adianta: IDEIAS SÃO À PROVA DE BALAS!!

terça-feira, 11 de junho de 2013

À espera


Ok. Leio Elisa Lucinda, Maria da Poesia 
e ouço Ana Carolina.
Leio revistas femininas, umas mais ou menos fúteis,
Às vezes busco inspiração pra enfeitar meu lar. 
Não sou mais balzaquiana:
sou loba 
dizem que já comi a chapeuzinho.
Piloto fogão de salto alto,
Mas adoro andar descalça.
Medo de altura, tara por velocidade
Ando perfumada, mas conservo meu próprio cheiro.
Sou emancipada:
Sei bem me virar sozinha.
Vibro, sou ave, suave, ávida.
Sou romântica, ecológica e bem-humorada
Não perco uma piscadela.
Adoro conversa afiada,
olhares fagueiros, de soslaio.
Já fiz muita coisa hoje.
Rezei pro meu santo: pedi pra te proteger de mim
Separei livros e contas a pagar,
organizei roupas, sapatos e bijoux,
lavei echarpes, lenços e pashminas
Provei lingerie nova.
Contrariada, constatei celulites.
Mas, nem tudo está perdido, mantenho a cinturinha.
Um velho blues 
embalou meu dançar solitário.
Diante do espelho,
fiz caras e bocas,
tudo isso sem calcinha.
Agora, rimas bolinam meus pensamentos e,
suavemente, sorvem meu corpo com vinho.
Enquanto você não vem.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fe(r)ver


Em toda completude vivida
in-acabada 
(uma só?) possibilidade 
Sim/não: talvez (!)
Me deixe
Leve com(o) o ar...
concreta (em) intensidade 
Par(a)ti inteira, (agora) aos pedaços
Em fúria: paz selada com tanque de guerra
algo oculto em véus: desalinho
Di-amante bruto ou di-lapidado  (?)
 la(r)va quente e um trago pro-fundo.
Ando em círculos...ao teu lado,
risco e traço, aresta... a(r)risca?
corda bamba alinhar a reta: algo obtuso
Fogo, fagueira e afago na escuridão...
Quebranto que cura:
 febre à noite,  ilusão, 
suor escorrendo devagar,
 arrepio no calor do meio-dia...
Yin-yang re-virado, fe-menina...
sou mulher brincando com palavras...
Ma(i)s amar(-ga) (que) é doce
Prosa noturna: sôfrega, ofegante
a arfar o peito, despidos de (quase) tudo
Palavras, verbos,  versos,  poesia...
apres(s)ados em todo(s) sentido(s)
direção, significado, sen.ti.mento:
ve(r) te: Amo(r)...
ma(i)s (?) (agora) só (há) pressagio.
Ouço seu silênCIO
e teu pranto me dizendo: 
A(hhh)maria...