domingo, 22 de julho de 2018

Rapidinha XVI - Apanha-dor

Até a brevidade chegou ao fim. Decidiu ir ali, na esquina, pra ver se conseguia filtrar um novo sonho.

Maria Lemke

NUA-nça

Sofreguidão é uma palavra bonita. Vem do português arcaico. 
Nuançada pelo agora,  a palavra evocava-lhe um  mosaico de lembranças. Pensou em todas as vezes em se encontraram, quando não conseguiram resistir ao desejo, à fúria louca, à urgência da dança dos corpos que os consumia.


Maria Lemke

Versículos VII - T(r)emia


Me tornei quem mais temia. 
Alguém que morre em meio aos próprios escritos, destroçada por versos em (p)rosa, (s)em poesia.

Maria Lemke

Projeto safadeza

Não quero nada demais. Vou viver mais uns dias longe do mar. Quero apenas amizade e você faz parte do projeto "coleguinha de boteco".  Disse, ao conversarem. 
Ok, respondeu ela. Mas creio que isso não será possível.
Por que?
Sem pensar, ela disse: Eu teria que ignorar quantas vezes você mordiscou os lábios enquanto conversamos. E isso já não consigo. 
Do brilho dos olhos daquela mulher era possível perceber que já se imaginava percorrendo cada canto daquela boca safada.
Pqp! Tô vendo que o "projeto coleguinha" fracassou. Redarguiu ele - mal contendo o frenesi que ameaçava deixar à mostra o que sentia.
Por motivos alheios à vontade de cada um, a conversa terminou pouco depois.
Naquele anoitecer, separados por milhares de quilômetros, sorriram, deliciados, imaginando por quais caminhos as próximas conversas passariam. 

Maria Lemke

sábado, 21 de julho de 2018

Na Curva dos Dias

Depois de tudo que não houve, nem haveria, seguiriam, cada um, o próprio rumo. Ele, Menino, passaria alguns dias à margem de algum rio, doce rio. Ela, com sede, com alguma sorte, quiçá, encontraria a saída do deserto. Triste, de longe, pensava, entre lágrimas, em sua fortuna. Só(r)ria, da ventura daqueles dias, presa numa rede, morria de-vagar, na curva daquele sorriso, onde nunca se afogou.

Maria Lemke

sexta-feira, 20 de julho de 2018

quinta-feira, 19 de julho de 2018

In

Visceral? Não. Esse escrito não é visceral.
Visceral é o filme mudo do amor gritando sim.
Final triste, 
Rima ruim.
Excesso de dry gin.
Visceral é a saudade do amor que sinto,
que preenche e percorre minhas entranhas,
 - estranho (,) amor, é(s) o -
fogo fátuo, fata morgana, que insiste em morar em mim.

Maria Lemke

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Pise

Pedira-lhe, em tom de súplica, cheio de brandura: pise de leve na água que brota do centro do mundo e então suas dores se acalmarão...
Pra quem aprendeu andar sobre brasa quente - pensou - o gelo era apenas outra forma de queimadura.


Maria Lemke

quinta-feira, 12 de julho de 2018

distÂNSIA

Passaram a tarde conversando. A distância era segura. Por um momento acreditou na própria mentira: "não vai haver problema algum". Errou feio. A curva daquele sorriso fagueiro e safado não deu trégua noite adentro, bailava, desavergonhadamente em seus pensamentos. Eita! Pensou entre rubores, desconsolada, depois da conversa tomar rumos perigosos...Já era tarde. Algum calor começou a emanar de dentro dela. Ele não sabia mas, naquela noite, seu banho foi mais demorado.

Maria Lemke

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Vãos

As mãos de início se tocaram de modo suave. Dedos entrelaçados, prenunciando a dança dos corpos, em pouco tempo, tornaram-se sôfregos e nervosos. Das mãos à boca foram alguns milésimos de segundo. O beijo molhado causava fagulhas, arrepiava seu corpo inteiro, eriçava-lhe os pelos. O desejo voraz, animal, emergia em ambos numa fúria louca. Entre os vãos de suas carnes macias, dedos sôfregos se lambuzavam. O cheiro do cio prenunciava o gozo incontido. A mão que tocava-lhe sexo era a mesma que molhava sua boca.

Maria Lemke

terça-feira, 26 de junho de 2018

Rega...

Há tempos não nos vemos - disse ela.
Ainda não viu as flores que plantei - continuou com olhos de promessa e voz lânguida.
Venha, te mostro todas.
Ele, sem inocência alguma, aceitou, de pronto, o convite.
Estavam secos, sedentos, úmidos de vontade. Mal podiam contar as horas. Mas se continham.
Túrgida, dela desabrochavam pequenos e roucos gemidos de espera, indolores, indolentes.
Ao abrir a porta, vestida apenas com o roseiral que floria de sua pele, disse:
São suas. Por onde você começa a rega?

Maria Lemke

segunda-feira, 18 de junho de 2018

quinta-feira, 31 de maio de 2018

sexta-feira, 9 de março de 2018

Proscriptum

Rascunho e risco palavras cruzadas, cruas. Sem adereços ou endereço certo. Verdades nuas em linhas paralelas. Verbos apostos. Parênteses escondendo ré-talhos de memórias, histórias de desejos proscritos, vontades sufocadas, gritando e gemendo em meus escritos.

Maria Lemke

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Zênite



Autora: Maria Lemke

 Fotografia é a tomada da beleza por uma lente que se(-)quer (é) objetiva.

Maria Lemke

segunda-feira, 8 de maio de 2017

pH

A poda é importante. Pode ser periódica. Há diferentes tipos de poda: as de formação e as de emergência. Em qualquer dos casos, a planta fica revigorada e rapidamente sentem-se os benefícios da prática. Cuide bem das sua plantas e observe se não estão precisando de uma boa poda.

Maria Lemke

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Calo


Silencio... Grito por dentro, cada vez que me calo. Só eu sei onde o calo dói, onde a dor é doida, doída. Como sói ser a dor de quem se cala.

Maria Lemke