terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sobre ventos, secas, cicatrizes, anéis e ipês

Quando o ipê explode em flores, e a lua - que não é de Saturno - ganha anéis ao seu redor, e você sente arder alguma antiga cicatriz, eis que é breve o tempo. 
A chuva não tarda.
O ipê perderá flores, ganhará folhas...
Os belos, etéreos e sutis halos da lua se perderão no céu.
A tua cicatriz, inflamada e dolorida, silenciará até a próxima seca. 
Voltarás a esquecê-la.
Sentirás tempestades: ventos e águas. 
E suores pelo corpo.
O odor da terra molhada chegará às tuas narinas.
Verás ervas e flores vicejarem por toda parte. Cio da terra. 
Ha(hhhhh)-verá o branco mais rosa... e o rosado, carmesim.
É tempo de lav(r)ar a alma, o corpo e o coração.
Aguardarás novamente ipês, cicatrizes e anéis. 
Quiçá, a chuva...Prenúncio apenas.
Amor, amor, caio à espera de uma nova e inversa estação.

Um comentário:

  1. Nossa ;Maria que texto lindo!
    Continuas escrevendo de maneira bela e tocante.
    Beijos!

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